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Hoje, de manhã!
(75 versos para uma vida).
Hoje, de manhã,
quando acordei,
Deste-me um beijo,
E ouvi que murmuravas:
Parabéns!
Estava próximo o ano Dois Mil,
E andava no ar um cheirinho a Natal.
Ergui-me, e agradeci
Ao meu Anjo Tutor,
A graça que Deus me concedia,
De ele me cobrir, feliz,
Mais este dia,
Sob a asa tutelar do seu amor.
Assim contente,
Comprei o jornal e fui ao café,
Beber uma bica.
Mas ao ler as notícias,
Fiquei desolado,
Pois o Benfica,
Havia empatado.
Na página de capa,
A notícia do dia:
Que "na seqüência de uma circular do ministério,
Os hospitais iam entrar de prevenção,
No final do ano".
A razão do mistério,
Vim logo a saber:
Era o bug do ano dois mil:
O dois ipsilone kapa.
Voltei as páginas
À procura de um mapa
Que me informasse das guerras
Que havia no planeta Terra.
Havia as guerras da Tchetchênia,
De Angola, do Congo,
Do Paquistão com a Índia.
Meu Deus, quanta desgraça!
E Eu para aqui
A fazer versos,
Exclamei!
Uma vez mais,
Constatei como o mundo era perverso.
De nada serviria chorar,
Ou ter pena.
Quer gostasse, quer não,
Eu hoje fazia anos,
E pensei que era melhor fazer
Por cada ano um verso.
Seria, por certo,
Um longo poema.
Fique para ali a imaginar
E a ver o tempo a passar.
Como num ecrã panorâmico,
Vi tudo o que me aconteceu,
Naquela zona do tempo e do espaço.
O que ontem fui, já não sou,
O amanhã não me pertence,
E a única certeza que tenho,
É mais pequena que o tamanho
De um simples ponto final,
Representado por duas linhas,
Infinitas e cruzadas;
Uma que vai, outra que vem,
Sem poder saber
Por qual delas haverei de ir,
Pois uma é a das alegrias
E outra a das desditas,
Mas nenhuma tem sinal!
Inexorável, sinto bater no pulso
O relógio do coração.
E em cada intervalo do compasso,
Vou caminhando,
Dando mais um passo.
Até quando, meu Deus,
Até quando?!
Fernando Costa Quintais
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