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A prova
Sonolento,
em estado de hipnose,
fito a bola de cristal
do pesa-papel pousado
sobre a mesa.
E tal como o esplendor da cor
que da esfera se evola,
para depois voar
em redor do vidro
luminoso e frio,
também a imponderável
essência do meu ser
se desvanece e cola
à imagem sem cor
desta paisagem sublunar.
Minha alma arrefece
na pretensão fútil
de escutar na noite
a música dos astros.
Insensíveis
ao meu esforço inútil,
permanecem silenciosos,
cintilantes e azuis,
a povoar os sonhos
da criança que fui.
Que bom que era
ouvir cantar estrelas,
fechar os olhos,
e adormecer nos teus braços,
ó minha mãe celestial!
Acordar no amanhã de outro dia,
levantar meu corpo,
sem pressa,
nem travo amargo na boca
das noites sem fim,
do fim dos dias,
sabendo que ainda era eu,
eu mesmo,
senhor de mim.
Colher nos pomares do paraíso,
o fruto, não do bem e do mal,
que isso, agora,
já aos anjos pouco importa,
mas o pomo ideal,
germinado da minha prece,
hesitante e apressada,
mas por ti, Senhor, escutada,
e em ti aceite e atendida.
Como é bom saber
que o mundo não é só isto,
e que a vida, em cada Páscoa,
eternamente se renova.
Que Deus existe,
A Poesia é a prova!
Fernando Costa Quintais
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