Impressões

No silêncio dos lábios
O pensamento busca no olhar
A margem acessível
A palavra possível
Que me leve até mim

Nem sempre me vêem
As planícies ou lagos plácidos
Vejo-me também no inexato
Na escarpa, no sal, na bruma
Que me refazem os passos, o olhar

Vive-se outrossim, no incerto
Na imprecisão do que se pensa saber
À guisa de alguns ventos
Porque seguir em frente
É muitas vezes ter que retornar

Sinto-me no difuso, no indefinido
No espelho baço que acha refletir
O rosto que nem sempre me reconhece
Viver talvez seja não bastar-se
Ser incontido, sonhar e delirar
Mesmo se só nos resta
A memória da esperança...

Fernanda Guimarães