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Fragmentos 149 "Não
é fácil distinguir o homem dos animais, não há
critério seguro para distinguir o homem dos animais. As vidas
humanas decorrem da mesma íntima inconsciência que as
vidas dos animais. As mesmas leis profundas, que regem de fora os
instintos dos animais, regem, também, de fora, a inteligência
do homem, que parece não ser mais que um instinto em formação,
tão inconsciente como todo instinto, menos perfeito porque
ainda não formado. "A Ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente. E a ironia atravessa dois estádios: o estádio marcado por Sócrates, quando disse «sei só que nada sei», e o estádio marcado por Sanches, quando disse «nem sei se nada sei». O primeiro passo chega àquele ponto em que duvidamos de nós dogmaticamente, e todo o homem superior o dá e atinge. O segundo passo chega àquele ponto em que duvidamos de nós e da nossa dúvida, e poucos homens o têm atingido na curta extensão já tão longa do tempo que, humanidade, temos visto o sol e a noite sobre a vária superfície da terra." |