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Fragmentos
9
"Ah,
compreendo! O patrão Vasques é a Vida. A Vida, monótona
e necessária, mandante e desconhecida. Este homem banal representa
a banalidade da Vida. Ele é tudo para mim, por fora, porque
a Vida é tudo para mim por fora.
E, se o escritório da Rua dos Douradores representa para mim
a vida, este meu segundo andar, onde moro, na mesma Rua dos Douradores,
representa para mim a Arte. Sim, a Arte, que mora na mesma rua que
a Vida, porém num lugar diferente, a Arte que alivia da vida
sem aliviar de viver, que é tão monótona como
a mesma vida, mas só em lugar diferente. Sim, esta Rua dos
Douradores compreende para mim todo o sentido das coisas, a solução
de todos os enigmas, salvo o existirem enigmas, que é o que
não pode ter solução."
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