|
Eterna Sampa
Quando acorda a lacrimejante cidade
a grande metrópole
com ar de província
mais velha em dias
tão nova de prova
no rimejar da trova
recitada no Pátio do Colégio
ou na Praça da Sé
na cobra do tamanho do minhocão
que acorda também Lacerda
alguma coisa acontece em cada coração
Coração imigrante
Coração retirante
Coração delirante
Coração como tu gigante
Nas margens da São João
que grita com a Ypiranga
querendo licor de pitanga
garoados de drinques do Bar da Brahma
chopeando a esperança
balança sem peso
metro que não mede sua medida
bebida que não te embriaga
Beagá que recebe tua filha
que corta Afonso Pena
mas sem o museu do Masp
sem Vale e nem Anhangabaú
sem Praça e sem República
sem Tiete e Anhanguera
sem Parque nem Ibirapuera
sem Corrida e sem São Silvestre
Apenas São Paulo
Apenas Sampa
que num dia 25 de janeiro
faz brilhar
mesmo que lacrimejante
mais um ano inteiro
No bolo quilométrico
ou cobra interminável
sem valor estético
mas no carinho inflamável
das várias raças que te abundas
mesmo quando enchentes te inundas
teu povo não afunda
porque o amor que te tens bóia
e no limo do teu céu cinzento
está a energia e o fermento
dos trabalhadores dia barulhento
da noite a paulicéia desvairada
do povo que ama a madrugada
da terra a melhor balada
quando ninguém sobe a serra
tua noite de felicidade berra
Viva São Paulo eterna...
Eustáquio Braga
|