Olho no olho...

Dos meus medos faço canção
embalando meus sonhos em desatino.
Desvairada num anseio turbulento
de quem se despede da razão

Envolta persisto e desisto
insegura me entrego aos desvios
do vazio que minh' alma teme
meus dias são passados distantes
Versos sem rimas que se apagam
Folhas secas caindo a fremir
Atroz aparente disfarçada audaz
arsenal revestida conclamo concisa

Mar a ser atravessado
sem barco nem remo
Necessidade de transpor
lanço-me neste fluxo

Incerteza é direção
niilismo insistente
desordenada renego
este meu perecimento

Canção que me decompõe
harmonia espacejada sem ritmo
procriada dos meus medos
transformados mau grado e solidão.

Olho no olho
encaro meu ego sem receio
sou de mim mesma esteio
Dos meus medos, faço canção.

Elizabeth Misciasci