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Insubordinação (de "Poemas Pagãos")
Talvez, para ela, o amor fosse uma forma desconhecida de guerra.
Paulo Coelho - Brida
Levanto-me perante a ti em toda força do meu amor
Confronto-me contigo no efêmero poder do meu ser mulher.
Minha rebeldia forma círculos em espiral à minha volta
O turbilhão sopra em meus cabelos, cobrindo-me os olhos
Moldando minhas vestes contra as curvas de meu corpo
Chamando-te e repudiando-te, oferecendo-se e negando-se.
Levanto meu rosto em afronta e desafio ao toque de tua mão
Desejando e repelindo o que foi criado desde o princípio
- o teu amor à minha volta, sobre mim, meu corpo adentro.
Moldada desde a fundação primeva para os teus dedos
Para tua boca contra a minha, tua palavra no meu coração,
Estendo os braços feitos para o teu abraço, o teu aconchego
Mas também defendo o que só a mim pertence, a minha mente
A minha escolha, o meu destino, o meu ser mulher.
Originada no confronto, na insurgência, na não-submissão
Eu me revesti do meu ser rebelde, meu ser guerreira
E defendi contra ti tudo aquilo que não te posso dar:
O direito que tenho ao meu próprio eu.
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