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Caso do Vestido Nossa mãe, o que é aquele Minhas filhas, é o vestido Passou quando, nossa mãe? Minhas filhas, boca presa. Nossa mãe, dizei depressa Minhas filhas, mas o corpo O vestido, nesse prego, Nossa mãe, esse vestido Minhas filhas, escutai Era uma dona de longe, E ficou tão transtornado, se afastou de toda vida, chorou no prato de carne, me deixou com vosso berço, mas a dona não ligou. Dava apólice, fazenda, beberia seu sobejo, Mas a dona nem ligou. me pediu que lhe pedisse, que tivesse paciência Nossa mãe, por que chorais? Minhas filhas, vosso pai Nossa mãe, não escutamos Minhas filhas, procurei E lhe roguei que aplacasse Eu não amo teu marido, Mas posso ficar com ele só pra lhe satisfazer, Olhei para vosso pai, Olhei para a dona ruim, O seu vestido de renda, mais mostrava que escondia Eu fiz meu pelo-sinal, Sai pensando na morte, Andei pelas cinco ruas, visitei vossos parentes, tive uma febre terçã, Fiquei fora de perigo, perdi meus dentes, meus olhos, minhas mãos se escalavraram, minha corrente de ouro Vosso pais sumiu no mundo. Um dia a dona soberba pobre, desfeita, mofina, Dona, me disse baixinho, que não sei onde ele anda. última peça de luxo daquele dia de cobra, Eu não tinha amor por ele, Mas então ele enjoado de mim como eu era dantes. fiz toda sorte de dengo, me puxei pelos cabelos, me cortei de canivete, bebi fel e gasolina, dona, de nada valeu: Aqui trago minha roupa de ofender dona casada Recebei esse vestido Olhei para a cara dela, quede graça de sorriso, quede aquela cinturinha quede pezinhos calçados Olhei muito para ela, Peguei o vestido, pus Ela se foi de mansinho vosso pai aparecia. mal reparou no vestido põe mais um prato na mesa. comeu, limpou o suor, comia meio de lado O barulho da comida me dava uma grande paz, de que tudo foi um sonho, Minhas filhas, eis que ouço Carlos Drummond de Andrade
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