| Campo de flores | ||
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Deus
me deu um amor no tempo de madureza, Pois
que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos Mas
sou cada vez mais, eu que não me sabia Mas
me sorriam sempre atrás de tua sombra E
o tempo que levou uma rosa indecisa Hoje
tenho um amor e me faço espaçoso Seu
grão de angústia amor já me oferece Mas,
porque me tocou um amor crepuscular, |
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"Há que amar e calar" , diz Carlos Drummond de Andrade lá pelas tantas neste que é um de seus poemas mais lembrados. Não custa observar que o poema se inicia com o magnífico verso "Deus me deu um amor no tempo de madureza", com relação ao qual muitos estranham "madureza", sinônimo de "maturidade", provavelmente porque essa palavra evoque o antigo curso de madureza, que é como era chamado o curso supletivo. Nosso
poeta considera, numa alegria que não lhe dissolve a estridência
irônica, que o amor se acompanha de silêncio na maturidade
(sem os folguedos de juventude), que, portanto, é preciso amar
e calar. E essa necessidade vem expressa pela forma mais grave que
é o "há que", raríssima na fala
cotidiana. Essa gravidade dá o tom ao poema, no qual um "amor
crepuscular" surpreende o homem quase velho e que se supunha
tomado demais pela melancolia. Como equacionar a graça de
um amor a essa altura e a ferocidade de quem sempre foi torto na vida,
como o poeta disse de si no Poema
de sete faces, de seu primeiro livro de poesia? "Há
que amar diferente", soluciona Drummond, "há
que amar e calar". |