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Biografia
"Eu
sou apenas um velho baiano
Um fulano, um caetano, um mano qualquer
Vou contra a via, canto contra a melodia
Nado contra a maré"
(Branquinha)
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Esse
baiano é qualquer coisa
Roberta
Florido
Superbacana,
Odara, Leãozinho. São muitas as faces do baiano
Caetano Veloso, e é praticamente impossível defini-lo.
E justamente por ser um camaleão é que ele atravessou
décadas incólume a qualquer tipo de crítica.
Apesar de hoje ser menos polêmico que ontem, o Menino do
Rio continua fazendo história e surprendendo. Amado ou
odiado - mais amado é claro - , o compositor é um
homem inigualável.
Nascido
em Santo Amaro da Purificação, a 73 quilômetros
de Salvador, o irmão de Maria Bethânia já
parecia saber o que seria no futuro desde pequeno. Com pouco mais
de 4 anos de idade, o filho de dona Canô já marcava
A Tua Presença Morena, revelando seus dotes artísticos.
Ao completar 60 anos, o Beleza Pura, pai de três filhos
- Moreno Veloso, do seu casamento com Dedé Gadelha, e os
caçulas Zeca e Tom Veloso, fruto da união com a
carioca Paula Lavigne - nos reserva um incrível legado
musical, um dos mais importantes da MPB.
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No
início dos anos 60, mudou-se para Salvador e conheceu
Gilberto Gil. Dessa amizade nasceram canções como:
No dia em que eu vim-me embora, Panis et Circenses, Lindonéia,
Bat Macumba, In the hot sun of Christmas Day, São João,
Xangô Menino, Haiti, Cinema Novo, Dada, entre outras.
Além de Gil, o astro também compôs com outros
ícones da música brasileira. Os dois tornaram-se
parceiros na música e na vida, e atravessaram juntos
períodos turbulentos da história do País.
O
Brasil estava Fora de Ordem e sob às ordens dos ditadores.
A liberdade foi proibida e os artistas tentavam de todas as
maneiras quebrar as barreiras da censura. O Menino do Rio resistiu
bravamente. Suas letras preciosas traduzem bem esta época:
a ditadura com seus Podres Poderes. No tempo em que os jovens
saíram às ruas "sem lenço e sem documento",
nem tudo era Alegria, Alegria, mas ele estava lá contra
tudo e todos. Vale lembrar que, também nesta década,
foi fundado um dos mais importantes momentos artísticos,
o Tropicalismo, movimento de vanguarda que abalou as estruturas
musicais e culturais do Brasil.
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Mas
Caetano queria mais. Queria inovar, chocar. De tão autêntico,
chegou a ser vaiado ao levar para o palco É proibido proibir
na eliminatória paulista do 3º Festival Internacional
da Canção, no Teatro da Universidade Católica
de São Paulo, em 1968. No entanto, nada o derrubaria. No
fim da década de 60, depois de ser delatado, Esse Cara
foi mandado para o exílio em London, London, onde continuou
compondo e participando da vida de sua Terra, agora tão
distante.
Samba,
suor e cinema
Atrás
do trio elétrico... só não vai quem já
morreu. Como um bom baiano, Caetano segue à risca o verso,
um de seus grandes sucessos. O cantor é presença
certa no Carnaval de Salvador. Quando não está no
camarote, basta procurá-lo no trio de Gil - Expresso 2222
- ou de Daniela Mercury. No Rio, Os Mais Doces Bárbaros,
Caetano, Gal, Gil e Bethânia, foram homenageados pela Mangueira,
em 1994. Com o enredo Atrás da verde e rosa só não
vai quem já morreu, a escola mais tradicional do Rio levou
para a Marquês de Sapucaí aqueles que revolucionaram
a música brasileira.
Em
sua carreira, Caetano mostra que é adepto a todos os ritmos,
e o carnaval sempre esteve presente em sua vida. Em 1972, o baiano
compôs um grande sucesso, o frevo Chuva, Suor e Cerveja.
Cinco anos depois, lançou um compacto simples com as suas
carnavalescas Piaba e A filha da Chiquita Bacana.
Como
sempre versátil, o nosso baiano também participou
da sétima arte. Sua primeira incursão foi em O Cinema
Falado. Em 1994, a música Tonada de Luna Llena, do CD "Fina
Estampa", foi imortalizada na cena final de A Flor do Meu
segredo, do amigo espanhol Pedro Almodóvar. Caetano também
deu A Luz de Tieta ao filme Tieta do Agreste, do cineasta Cacá
Diegues.
Podemos
até tentar definir Caetano, mas como vemos é realmente
impossível dizer: "esse baiano é isso"
ou "esse baiano é aquilo". O que importa de verdade
é que este homem de Fina Estampa tragou todas as tendências
e as traduziu para o público, como em sua canção
Luz do Sol...
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