| Banjaras*
Andaremos lado a lado
como andáramos outrora
capaz que ao tocares a rosa
recordes seu nome em sânscrito.
É só mirar teu semblante
que me enredo em imagens e panos
e tilintam-me aos sentidos
sons de pulseiras e tablas.
Ai, antes não me recordasse!
Mas é só te encontrar na rua
em meio a carros e buzinas
que já não diviso essa cidade
nem me perco nessas esquinas.
Ai, antes não me recordasse!
Descubro-te em sorriso de nácar
braços de pele morena
- Mais que isto: acobreada -
e levam-me a outras paragens.
Ai, antes não me recordasse!
Andamos já lado a lado
em verdade entrelaçados
nossos pés chegam juntos
aos véus flutuantes da lua.
Ruído só de moedas
nas ondas dos meus cabelos
quando sopras verbo novo
na concha do meu ouvido.
Clara manhã de elefantes,
cheiro de cravos e almíscar
e ecos de encantamento.
No jogo das Três Pedras
sobre o tapete estendido
olha-nos o ancião
com seu turbante ocre.
Já não há o que fazer
quando o fato é consumado.
Outra vez viandantes.
* Ciganos hindus
Cristina da Costa Pereira
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