| Biografia
Bem, sou muito nova para dizer que possuo uma biografia, mas como todo "escritor" tem, por que não fazer a minha, não é mesmo? Como poderia começar a falar dessa minha pequena e turbulenta vidinha e principalmente minha influência para a inclinação da literatura e da poesia propriamente dita? Até porque, eu escolhi uma área de estudo, trabalho, formação profissional, acadêmica, mesmo que trabalhando e estudando mais pesquisas e educação, de qualquer forma os modelos de minha área são abstratos e matemáticos envolvendo muita tecnologia, desenvolvimento e ciência além de sermos técnicos para escrever qualquer coisa. Emitimos tantos laudos, certificados, relatórios, formulários que passamos a esquecer como se escreveriam algumas palavras e escreve com estilo, enfim como fazemos o uso da palavra, por exemplo, em literatura. Ao contrário do que ocorre na área de educação que por sua vez desenvolvemos mais esse lado do pensar e desestruturar nossos preconceitos e rótulos e desenvolvemos mais uma forma de pensar, pois teremos que formar profissionais muitas vezes, desmistificar uma matéria de atuação na maioria das coisas do cotidiano e nos vemos obrigados a executar a falada contextualização, para isso é preciso: filosofar, socializar, colocar-se em posição do outro, desenvolver uma postura perante um público, alunado, educandos, clientela, enfim, diante do que detém menos conhecimento que você. Estou falando de decodificar uma linguagem quase que incompreensível e às vezes rejeitada que deveria ser mais bem compreendida desde o berçário e não somente no nível médio, em doses homeopáticas e em uma linguagem bem mais simplificada para sua mais facilitada compreensão que é o das reações químicas em quaisquer ambientes onde elas estejam. Com essa missão o licenciando em química se vê tendo que emitir suas opiniões e discutir em sala de aula, em congressos, em sua própria sala de aula com seus alunos em seus estágios, como em um laboratório onde testamos e experimentamos todos os teóricos pragmatismos do tópico abordado. Aliás em falar em abordagem, há ainda que se escrever trabalhos científicos e monografias, mesmo que em sua concepção sejam somente pura e simplesmente concebidas através de uma simples pesquisa bibliográfica e sua apresentação frente a uma banca examinadora de um seminário resumido em tópicos através de projeção de transparências ou mesmo de pps com auxilio de retroprojeção ou data shows fazem com que criemos uma maturidade na técnica do transmitir uma mensagem que resuma a idéia global do que queiramos ensinar, transmitir, enfim comunicar. Isso me ajudou, mas muitos de meus colegas apontavam a minha maior facilidade em fazer isso, destacando-me diante meus colegas nesses tipos de atividades desde meu primário, inclusive alvo de apontamentos de amiguinhos mais negativos, pela riqueza de detalhes e vocabulário, facilidade de expressão oral e escrita, zombavam muitas vezes no primário, ginásio e segundo graus, pois adoro estudar e isso está cada dia mais escasso no meio do alunado até o nível superior. No nível superior e técnico, passei a ser mais admirada
contraindo o ônus de tudo cair nas minhas costas. Certa vez,
meus colegas conseguiram uma prova de Química Geral para três
turmas iguais, tive que fazer antes a prova e xerocar de forma reduzida
para todos das três turmas e combinamos de errar questões
diferentes, isso no nível técnico, como já possuía
boa base e estava no primeiro ano de faculdade gabaritei como sempre
acontecia no Anglo Americano a prova, mas tive que errar uma questão
e ver todos fazendo aquilo para poder estar mais socializada e compactuando
com a turma em qualquer empreitada. A minha relação com o mundo sempre foi desde muito pequena clara e meu prisma também de que o mundo quereria sempre algo de mim, então eu tinha que tentar "compra-lo" com coisas e idéias, pelo menos que "vendessem" a imagem de boa menina, politicamente correta, mas nem tanto, seria facilmente "corruptível" a um bom agradinho, ou seja, se eu dou algo eu teria imediatamente em troca outra. Não estava errada, de fato, o mundo é assim, mas não no que diz respeito a sentimentos e no âmbito sentimental. Outro aspecto já bem claro em mim desde nova seria a experimentação, para mim a práxis da vida seria empírica, seria um grande laboratório, então eu experimentava como todo cientista em duplicatas, triplicatas e um tal de não deu certo e vamos tentar de novo, que não tem como alguém agüentar. Achava que as pessoas tinham que gostar de mim como eu gostava delas e ainda por cima sempre fui de uma ingenuidade irritante, hoje, re-avaliando reparo o quanto eu era permissiva às "mentirinhas" e ciladas da minha forma de acreditar em tudo que todos diziam. Chegava a ser ridículo e dar nos nervos de pessoas em quem eu confiava e conquistava verdadeira amizade e alertavam-me sobre esse tipo de prática. Assim fui crescendo e vivendo, vê-se que ainda hoje, mais no passado pior, sofria e sofro muito pelas pessoas que amei com elas ludibriando-me. Não que eu seja a coitada do mundo, mas porque permiti ser enganada e passada para trás em alguns aspectos e fases de minha vida. Por essa e outras que eu enfiava a cara nos estudos e nas horas vagas, gostava muito de desenhar (sem ter muito talento para coisa, mas...) e quando pude escrever aos sete anos logo comecei a escrever coisinhas para meus pais, para as pessoas com quem nós trabalhávamos em nossa casa e nos ambientes onde vivia, também usava figuras onomatopaicas ou mesmo minimalismo, personificando coisas ou fazendo bichos falarem e escrevia. Logo me destaquei por escrever boas redações e ter bom vocabulário, pois lia e estudava bastante. Na escola, minhas notas eram bem legais e minhas professoras adoravam o que escrevia, só se preocupavam com meu isolamento e o meu distanciamento dos meus colegas e as constantes implicâncias dos meus coleguinhas para comigo, mas eu continuava e escondia em casa, pois nunca incentivo para muita coisa, não era tida como talentosa para coisa alguma, assim, em minha infantil cabecinha, meus pais e meu irmão, bem como outros familiares e pessoas com quem nós convivemos iriam me taxar logo de estranha ou mesmo achar ridículo o que seria mais um motivo de chacota. Aos doze anos isso não foi mais possível, pois foi o tempo em que tive necessidade de pedir a uma professora de redação ajuda para a revisão de uns textos guardados e ela sem eu saber, levaria três de meus textos para o concurso de poesia do colégio, onde um delas seria escolhida e eu teria que declama-la em uma noite de sarau poético. Morri de vergonha, mas enfrentei e fui. Fui o orgulho da família uma vez na vida, mas em vão. Uma colega minha que tinha escritos sobre relacionamentos amorosos (tema muito explorado enquanto eu ainda com infância e Natureza filosofando aos rodos) e uma estrada de cinco concursos acabou com minha chance, quando ela declamou então me arrasou, mas tudo bem. Pois bem, mas diante disso estanquei um pouco minha produção infantil para começar a fazer versões de músicas em dias chuvosos na rede da varanda de nossa casa nas chuvas com meu irmão. Fiz uma versão de Carrossel de Esperança do Trem da Alegria para a distribuidora da Tupperware, a Mirassol em que minha mãe e meu pai tinham que ministrar assembléias semanalmente nas segundas-feiras e então a letra ficou assim:
Cristiana e Filipe de Barcellos Passinato Rio de Janeiro - RJ A Tupperware é uma aliança O nosso Mundo é colorido E assim nascia o jingle: Hino da Mirassol e como meu pai conhecia uma gravadora em Campo Grande gravou o Hit e tocou que foi uma coisa e nós nos sentíamos vendo mais de cinco mil mulheres cantando e balançando os pompons com essa minha acidental composição. Meu pai, que sempre tocou violão nos ajudou, mas eu fui a maior construtora na realidade dos versos, mas tenho que admitir que de paródia e versões estilo Casseta e Planeta o meu irmão me dá de lavada disparado, pena que ele não escreve para registrar tudo e se eu ouvir alguma nova corro e escrevo para podermos lembrar bem como essa versão nossa que ficou na nossa e na história de muita gente. Por isso escrevo, para registrar meus sentimentos, ter lembranças,
ter minha história. O que escrevo muito desde alfabetizada, diários, reflexões, pensamentos, mensagens, cartas, redações escolares, filosóficas, poemas, prosas, crônicas, enfim, tudo que vem eu escrevo, pois não sou ouvida, pois não davam credibilidade ou menosprezavam o quê vinha à tona, então quando falava, tentava chamar atenção, mas era inútil, somente no meio escolar, dentre professores, pois colegas me achavam esquisita, só servia para uma coisa: explorar. Normal, pois eu era a estranha, a chata, a reflexiva, a justificativa demais. Tudo parecia mais desculpa do que realmente verdades, palavras que voavam, atitudes infantis que não me retratavam realmente como era. Então, por isso, foi-se intensificando mais e mais o ímpeto
a escrita. Além das minhas frustrações e castrações.
Por querer ser a politicamente correta, a boa menina, a melhor para
satisfazer o ego mal resolvido da família inteira podei-me
muitas vezes e por ter que acompanha-los sempre tive infelizes perdas
tipo: o balé o piano, o vôlei, o canto, as viagens e
excursões além das surras e castigos pelos quais passei
sem ter feito nada levando a culpa pelos outros. Sabe aquela história
de papagaio come milho e periquito leva fama? Isso foi me mutilando por dentro, até que quando mais velha a minha forma de colocar tudo para fora era escrevendo, muito especialmente a poesia. Um detalhe que minha mãe vem me lembrando sempre: eu morria de vergonha do que escrevia, achava feio, chato, sem valor e escondia de tudo e de todos, o que vem a me fazer querer me exteriorizar e divulgar meus poemas? Necessidade de auto-afirmação? Talvez até sim, pois seria merecido, mas não é tão simples assim a coisa, pelo menos como aconteceu tudo para que eu começasse a freqüentar a net não só para falar no ICQ e no mIRC sobre Mp3´s e música, até porque a mudança de área foi pertinente, pois há 5 anos em meus de música, consegui um bom acervo, grandes amizades, mas o napster acabara e o mIRC murchara por várias saídas de amigos de lá do nosso canalzinho do coração. Sendo que ninguém sabia desse meu lado, somente por uma página
muito amadora sem o menor charme que havia colocado três poesias
(Ei! Sorria, Preciso de Alguém e a outra não me vem
a lembrança o título) e a letra de Canteiros com a midi,
sendo tão admirada pelos amigos que me ensinaram a formatar
algo e fiz a Poesias da Cris no HPG. De qualquer forma elas estavam lá e algumas pessoas viam e admiravam, mandavam e-mail, pediam para divulgar e eu sem a menor noção do que era aquele assédio, em 1996, minha cabeça explodia de coisas novas, dores, probleminhas sabe? Avô morrendo de leucemia, indo morar com minha avó, formatura da escola técnica que acabei ficando em dependência de uma matéria, mas isso foi uma outra história que dá pano para manga, bem como as histórias da faculdade que nunca consigo concluir e existem vários motivos que passam longe de serem simples desculpas como me falam, bem eu queria que o fossem assim seria mais fácil lidar com a coisa, mas as feridas são muito profundas e doem mesmo se cicatrizadas, deve ser quelóide, pois a coisa foi tão mexida, foi tão tocada que sangrava por várias vezes. Que ferida é essa? Do que estou falando? De uma ferida que
me fizeram na alma. Tudo muito bom, tudo muito bem, só que a realidade viria muito dura e próxima e a crise mais grave e mais triste estaria por vir. Desse momento em diante maus pedaços. Vou comentar e isso
marcou e fez-me crescer e acho importante dar esse testemunho por
muitos motivos, então começo uma fase de minha vida
muito traumática e chocante, mas tenho que repartir com quem
precisa ouvir-me. Pois é! Aqui para nós, ninguém sabe disso, mas o maior foi desilusão amorosa. Oh! Ninguém imaginava não é? Óbvio que haveria uma certa ponta de decepção na seção amorosa, mas não foi somente isso. Esse foi o fator degradante de minha fase glamouriosa, sabe? Como disse um mestre, professor e de certa forma um amigo meu (não será o citado (risos)): inveja é fogo (para não dizer o popular), você tem que se preservar, pois sempre chamou muita atenção pelo que parece, pelo que é, pelo que sabe, pelo que fala, pelo que escreve. Olho grande, você acreditando ou não existe e não custa se preservar, se proteger e se fechar um pouquinho de nada. Você é dada demais e ingênua, acredita em tudo e em todos. Não é que o danado tinha razão? Também
ele me reprovara por um período e esse período todo
eu havia ido muito bem na matéria, o que acabou comigo foi
uma visita inesperada de alguém que não conhecida ao
descer do carro em que o motorista me levava a faculdade, sendo assim,
surpreendida por uma voz desconhecida, às seis e quarenta da
manhã, nervosa por ter estudado a noite inteira e passado muito
mal de nervoso, pois precisava de uma boa nota e da aprovação,
justo naquela disciplina, simplesmente abordou-me uma senhora de cabelos
descoloridos, com uma aparência péssima e usando uma
jaqueta de couro meio curtida e uma saia de lycra ou dessas que colam
no corpo, super curta, mas estranhei e atendi-a, apesar de seguir
para a porta de meu Instituto e lá é bem deserto essa
hora, senti um pouco de medo, mas a senhora insistiu muito na chamada,
então andando ela me mostrou uma arma no seu bolso por dentro
de uma capanga, sendo assim me encaminhou para uma área bem
mais deserta e me apontou essa arma na testa. O motivo e os detalhes? Detalhes não quero dar pela dor que me causam essas lembranças e o motivo: a desilusão que vem detalhada mais a frente... A seguir cenas dos próximos capítulos, (risos), próxima linha: VEJA COMO SOFRE UM POETA! Pois é, por esse mesmo amor foram dedicadas muitas linhas, algumas delas queimadas junto a um grande material que guardava, escondia, até de mim mesma, mas num momento de tratamento de depressão e pânico, em auto-reflexão e análise resolvi dar fim em chamas a tudo. Junto a isso nesse surto foram-se várias poesias e duas delas foram remetidas através de e-mail e colocadas de forma anônima em um site e como desconhecia os trâmites de internet fiz um site do qual citava ser meu na primeira página, mas não assinava as poesias. Veja bem, não sabia sobre nada, só usava e-mail e mIRC para trocar mp3, no máximo um napster da vida, estudava muito, somente química, nem imaginava o que poderia me acontecer naquela época (1996). Meu avó havia recentemente morrido, fui morar com minha avó, sofri muito por vários motivos, nunca iria imaginar que sofreria mais ainda com mais maldade humana após toda catarse, auto-análise, separação forçosa de pessoas que amava, enfim, muita coisa tinha acontecido e nunca iria dar importância à secundários boatos que viriam por começar invadir meu e-mail. Primeiro nem dei ouvidos, ou mesmo a devida importância, pois não me dizia sequer poetisa, escritora, não me via como tal. Não me dando por conta, mas entrando nesse mundinho virtual e da literatura acabei por procurar alguns sites de poesia e descobri que a coisa havia tomado um rumo e uma amplitude incontrolável e busquei um site onde recomendava-se a participação em um grupo dito seleto e hoje extinto, por motivos óbvios não citarei nomes, mas é mais um desses grupos de Yahoo. Pois bem, primeira tentativa foi deveras traumática e humilhante, sem riqueza de detalhes, pois dói sentir que a literatura virtual pudesse ser tão fria, mas foi. Peguei alguns contatos dos quais mantinha pvt e assim fui formando um pequeno cadastrinho e entrando na vidinha das pessoas e pedindo ajuda, aqui e ali, assim foi que me deram mais um impurrãozinho pedindo que voltasse ao mesmo grupo de origem. Comecei a ser vítima de um empurra-empurra e de uma batalha de semi-deusas virtuais inter e intra grupos: um verdadeiro arsenal de versos negros e oferecimentos de ajuda que mais tarde viria a reparar ser um grande engodo, pois se tratavam de testes a minha pessoa afim de depor contra mim perante as outras pessoas e até ridicularizações viria sofrer e receber em meu e-mail. Triste, não é? Mas acontece com quase todo mundo quando sofre esse tipo de problemática acredito. Pois bem, entrei em diversos grupos, até que me aborreci feio e saí de vários, com intuito de não me vulgarizar fiquei em grupos dos quais a seriedade não é em forma alguma colocada em questão. Pelo menos, um desses grupos me deu o prazer de conhecer a escritora e acadêmica Marilza de Castro de quem tenho carinho e descobriu muita coisa em minha família e ancestralidade, inclusive o parentesco com o grande poeta Castro Alves, mais tarde colocarei à disposição para download a versão em arquivo de Word (*.doc) o texto do discurso de posse que conta isso tudo de Marilza, na Academia Pan Americana de Letras, inclusive essa mesma escritora mandará para mim esse material, com sua autorização devida, pois somos amigas agora pessoais e colegas, pois freqüento a Federação das Academias de Letras do Brasil (FALB), cujo presidente, senhor Francisco Nobre também um grande amigo, está seu noivo e estão se casando, ou seja, é uma honra ser considerada hoje, inclusive presencialmente escritora iniciada por essa grande madrinha. Hoje, para finalizar e não me prolongar tanto, pois isso se trata de apenas um resumo bibliográfico, apenas, digo-lhes que sei que falam algo, dizem muito de mim. Sei que errei por muitas e muitas vezes, mas aprendi muito mais, adquiri muito mais coisas boas que sofri, mas o mais importante: achei minha história, achei minha vida, achei minhas vocações. Tenho muitas dificuldades, sou muito só, sei que sofro mais por ser introspectiva, apesar de não aparentar, mas o meu valor é dado, principalmente por mim. Antigamente, achava que eu não valia e não era nada, hoje sei que sou eu, sou alguém e dignifico e edifico muito a muitas pessoas e por isso me sinto um pouco mais feliz e realizada. Falta muito para minha completa missão, sei disso, mas aqui estou para o que der e vier lutando com a arma da verdade e dignidade para que haja justiça a tempo e a direito para tudo e para todos verem e reconhecerem. Deixo um abraço a todos que me lêem e me sentem como um ser em evolução e acreditam em meus versos, palavras e ações. Cristiana de Barcellos Passinato |