Ao meu pai em seu forçoso exílio

Quando avisei
Julgaste-me criança.

Quando acudi,
Não viste meu esforço em auxiliar-te.

Não assumiste tuas culpas,
Colocando-as em cima de mim.

Vislumbras meus defeitos
Como teus os fossem.Sou tua filha,
Mas nada a mais tenho além de teus genes.

Sou concepção tua,
Mas eu sou eu.

Gosto do teu amor,
Mas não do teu jeito de amar.

Sufocas-me com a tua frustração,
Projetando-me em sua imaginação
Como tua perfeita criação.

Não fui criada por ti,
Sim pelo mundo.

Consegui não ser uma qualquer,
Mas por um segundo pudia ter-me revirado.

Enfim,
Algo de bom deste-me:
Tua força,
Tua coragem,
Teu senso de luta.

Mas graças ao Pai,
Em quem tu teimas em não acreditar,
Porém em tua difícil reclusão se pões a chorar,
Pedir por orações e pedidos,
Não tenho tua conduta,
Que de canhota e torta,
Faz por vezes tuas vistas rumarem para vias tortas.

Quero-te bem e o melhor dia dos pais do Mundo,
Mas que de presente Deus te dê o que deu-me em exaustão:
JUÍZO!

Cristiana de Barcellos Passinato