| Minha sina
Queima no peito a marca de um carimbo queimando registrando o dissabor, Às cicatrizes de feridas profundas que ainda doem, Como gostava se viesse um dia a curar tais doloridas feridas, sem mágoas e traumas, mas não serão mais tão lisas as cútis nas quais se criaram. Nada mais será o mesmo, ninguém detém o tempo e os fatos, deles nada podemos temer.Não podemos impedir a sucessão normal dos fatos e cenas de cada uma das vidas que são tão feridas.São inocências perdidas, ingenuidades consumidas que com essa perda vem o fel do amargor, a insípida monotonia sem muitos vais e vens, sem marés indo e vindo enchendo ou morrendo quebrando suas ondas pelas areias de praias desertas onde poderiam raiar ou porem-se sóis vislumbrando amores e gozos dos quais nada mais poder-se-ia lembrar.Sonhos não bastam, quando a esse ponto vêm a se chegar.Esquece, desse gozo, nenhum dia hei de aproveitar. A minha sina é o sofrer e curar as feridas a cada dia que quando mexidas por cada esquina da vida, por qualquer marginal desses cruel e sem moral que vem sem dó nem piedade apunhalar e reviver a dor cada vez mais num círculo, num ciclo vicioso, caindo num abismo sem volta nem escolha, sem mesmo uma maneira de a Deus se pedir perdão. |