Punhal afiado

Podemos querer dizer coisas boas
para Deus e o mundo,
Mas sem que os ouvidos para os
quais nos dirigimos estejam abertos
Ou mesmo quando abertos pouco receptivos,
Ou ainda pior, receptivos a uma interpretação
própria invertida de tudo que é dito,
Tudo que é falado nada vale é jogado ao vento.
Por isso, só tenho visto mesmo que quem vence,
Na maioria das vezes, fecha-se, não fala,
Se cala e aprende a observar e sentir até
quando estão lhe chegando pelo instinto,
Com a faca em punho para lhe fincar pelas costas,
Já, então, virando para o peito e olhando
nos olhos de quem não teria a mesma coragem.