| Sabe gente
Crianças, mulheres e jovens, nunca, nunca mesmo vitimizem-se e anulem-se como eu o fiz, venham, denunciem, escrevam. Não se droguem, não fujam, não se fechem, externem e denunciem... Não venho me vitimizar, somente relatar de forma de uma prosa que poderia ser ficctícia, mas depõe a favor de minha realidade e não ainda falando com muitos detalhes o fato em si, mas qualquer dia, verão meu grio de alerta à mulheres e crianças que são espancadas nesse mundão de Deus e não podem se defender por medo, por dependências ou outras forças que levam ao SILÊNCIO. Sabe gente, desde muito pequenina todos me rodeavam e chamavam de linda, inteligente, proeminente, prodígio, enfim, sempre tudo isso, mas na realidade isso tudo se antagonizava com uma criança sempre muito diferente que não se achava tanto assim e nem tão bonita, mas esforçava-me muito e sempre para aprender, obedecer e respeitar meus pais, mestres e mais velhos. Hoje, por exemplo, vejo crianças desorientadas, convencidas e mal educadas se permitido bate-se em um professor e xinga-se um pai ou uma mãe. Isso tudo inverte valores dentro da cabeça da criança que está se formando e o adulto que se encaixa em outra realidade então fica deslocado não sabendo como fazer para localizar a sua educação. Eu sempre me sinto deslocada perante alguns mais jovens que eu. Quando entro em classe, meus alunos me chocam. No entanto, o assunto ao qual quero comentar é sobre o belo, o conceito de inteligência e os encargos que a pessoa que detém traz junto a esses muitas vezes preconceitos. Não me acho tão bela. Na net vêm fotos minha de diversas fases e idades e quando me encontram pessoalmente até dizem que sou melhor, mas era a mesma da foto e a que escreve e interage na internet, mas um pouquinho mais gorda, ou um pouco mais velha, enfim, sou eu de verdade, mas não mais tão bela quanto antes. Fisicamente desgastada, um pouco sofrida com olhar triste e sorriso de lado e tímido. A inteligência é um conceito muito relativo, pois existem vários tipos de inteligência e a minha emocional é meio prejudicada. Sei que tenho potencial, sou esforçada, mas inteligente é complicado dizer, posso ser em vários sentidos considerada uma pessoa inteligente, mas nem como um todo uma prodígio. Dizem que poderia ter estudado canto, piano, música, teatro, direito, letras tudo, menos a carreira que amo e querem me destituir o título a qualquer momento de pelo menos estudante, direito que adquiri por concurso público do vestibular a muito tempo atrás, mas por artimanhas e mudanças até de grade, omitindo-me informações e ainda acumulando-se com minha fragilidade emocional e psicológica frente às situações e cenários instáveis familiares, negaram-me bolsas, iniciações científicas e até mesmo negaram-me uma bolsa de trabalho em um laboratório por motivos de aparência e meu peso estar acima do normal. Passei por diversas onde minha auto-estima acabou descendo. Fui estagiar em alguns lugares onde passei várias também, finalmente quando achei que consegui uma bolsa e me senti com realizada, como diria o povo "toda boba" tive que fugir de casa, ir para longe, ir para Dourados, fugida de um pai violento que havia me espancado dopada de remédios psiquiátricos de síndrome do pânico e depressão causadas por sua pressão pós perda de 30 kg em um período de 4 meses isolada e me submetido a uma lipoaspiração e redução de minha mama. Estava perfeita para os outros, mas para ele não. Não satisfeito me fez emagrecer ainda 11 kg, trancar a faculdade, trabalhar de graça e ainda me ameaçar de morte e de me largar na rua. Um terrorismo que me deixou apavorada e me levou a denunciá-lo e colocá-lo em um processo que até hoje perdura. Hoje me pergunto: onde está minha beleza e minha inteligência? No meu isolamento, no meu insucesso acadêmico e intelectual e na minha engorda e perda de minha beleza e juventude em prol de minha mãe e meu pai? Não sou nenhuma Rozane Richtoffen, não tenho coragem de fazer maldades e assim somatizo e adoeço. Agora, penso eu, como sair desse labirinto? |