É hoje...

Causa repulsa a forma como determinadas pessoas juntam-se e casam-se, sem saber se há compatibilidade de gênio, espírito, moral, formação e se há um fator importante: respeito e compatibilidade de gênios.

Meus pais, pelo pouco que sei, conheceram-se de forma meio que relâmpago.

Em um ano, começaram a se conhecer em um trabalho "free lance" de minha mãe, onde ele era o gerente de vendas de um curso de inglês e assim começaram a sair como amigos, surgiu um interesse maior de meu pai e aí o namoro acabou acontecendo por minha mãe ter tido uma boa impressão da "ingenuidade" de meu pai que veio do interior do Paraná e com uma mão na frente e outra atrás saiu da Polícia do Exército e se estabeleceu no Rio de Janeiro, sem minha mãe ter maiores referências a coisa se firmou, meu pai a pediu em casamento e casaram-se.

Minha mãe ainda demorou um pouco para engravidar de mim, mas sei que houve o início do conhecimento do caráter somente depois da divisão de privacidade reparando maus costumes e faltas de educação e formação, um indício de infidelidade e promiscuidade.
Houve um acontecimento e revelações que fizeram que minha mãe tivesse uma gestação intranqüila, mas meu parto e o acontecido nascimento foi muito marcante para mamãe.

Só que a dedicação e o desprezo pela relação marital de meu pai causou um determinado despertar de um lado seu que minha mãe desconhecia.

Segundo ela, ele dormia debaixo de meu berço, vivia me idolatrando e fitando aficcionado por mim, ninava-me sempre, sendo assim viciei nos seus "tapinhas" no bumbum e suas músicas de ninar e italianas, mas com 3 meses de idade, minha mãe reparou de repente um choro maior do que o normal, um choro de dor e as marcas através de 3 fraldas de pano (usei ainda fraldas assim) de impolamento de uma mão enorme em minhas nádegas.
Começando assim o meu tormento e o de minha mãe já iniciado a meses atrás a esse acontecido. Na hora, minha mãe brigou, ameaçou, mas deixou passar, pois era o primeiro indício e começaram aí também a primeira de uma série de chances e medos de minha mãe e meus com relação a doença de meu pai.

Pois é, omissão de minha mãe, pois esse seria um motivo para eu, como eu sou hoje, denunciar meu marido, mas minha mãe em 1973, abdicando de tudo e de todos e inclusive a seus mimos diante de seu pai que relutando ameaçou tirar seu carro e ela se submeteu, diz ela não por paixão, mas porque queria viver, sair, ser livre da criação e da podação de seus pais que a vigiavam muito, pois ela tinha amado um homem por 6 anos e namorado firme e tido os homens mais lindos do mundo aos seus pés em sua viagem de navio para Europa quando foi a princesa de Netuno e noivou com um lindo suíço (antes minha mãe ficasse com o suíço), largando por ter achado um cigarro de maconha nas coisas do "Antony Curtis", assim chamavam o moreno forte de olhos azuis professor de educação física e hoje advogado ex-namorado firme de minha mãe que a esperou com sua última conversa gravada na porta da igreja para ver se ela não casava com meu pai, mas ela relutou e foi em frente com essa história toda, imagina? Os brios, as más falas da família e suas amigas do Instituto de Educação, Pedro II, família Guínle e Curi, hoje nem lembram de mamãe e ela está aqui sofrendo junto a mim, mas ela se negou e lutou comigo nos braços enfrentando ônibus e IRB, onde trabalhava e até a creche eu usei de lá, enquanto ele: fazendo Judô e faculdade tudo pago por ela na tentativa de nivelá-lo a ela e minimizar os seus complexos de inferioridade e sua vergonha da falta de argumento com seus irmãos que por trás o zombavam, mas ele sempre foi mais ele e sempre se achou muito para o que era.

Como ele entrou na Universidade Estácio de Sá para direito e quem pagava? Ela fez o vestibular e passou para ele e pagou seus 6 meses, pois ele não aturou, como não aturou o emprego de fiscal que meu avô havia conseguido em um mandato de vereador dele enquanto minha mãe ralava e ele só paquerava e posava de esportista na praia correndo e se dando bem.

Nessa fui crescendo e sendo vítima de surrinhas pequenas por algumas traquinagens de bebê, minha mãe sofrendo com traições até sua segunda gestação, sendo a filha única, neta queridinha, bebê Johnson da família, depois da notícia, diz minha mãe que minha reação foi de euforia, diferente das crianças normais que se enciumam queria meu maninho para mim, ele era o meu bebê o meu bonequinho que mamãe tinha na borriguinha e assim foi a recepção ao meu irmão que não passou na gestação e na sua primeira idade o que passei, mas foi o mais prodígio e precoce dos bebês, andando e falando explicado rapidamente e tendo um poder de cativar a todos e até a mim como um bebê lindo e fofinho que foi, disso me lembro, já teria meus 3 anos e adorei sua chegada, muito amei e amo meu irmão que até hoje é muito apegado, por sermos somente nós e vítimas dos mesmos dramas, de formas diferentes e ele ainda com a vantagem da predileção descarada e assumida de mamãe até porque seu parto tinha sido de risco e ela quase morreu por ter tido um choque de anestesia sendo seu sangue A negativo, assim o sentimento de apego foi muito mais bem justificado mais tarde, mas segundo meu pai, meu irmão era mais manhoso, mais chatinho que eu e ele sim teria a mim como queridinha, pois até 5 aninhos realmente ele foi muito querido e o melhor pai do mundo, apesar de suas surras, mas era carinhoso e me dava sempre razão.

Depois dos 5 anos tudo mudou, as perseguições e cobranças vieram e a negação eterna para tudo, cobranças de responsabilidades e castigos sem razão foram um martírio para mim, mas esse é o início de toda a historinha que agora começa a pegar.

A SEGUIR CENAS...

Se eu tiver coragem e forças...