| Mais ainda...
Aos 5 anos, minha mãe me tratava como uma princesinha, e eles começaram como uma debutante, cheia de encantos começando por minha festa maravilhosa que mamãe me aprontou da Chapeuzinho Vermelho que tinha teatrinho e mais mil enfeites e guloseimas que nem ligava, pois era um pau de varar tripa enjoadíssima para comer. Já dissertei sobre uma doença que tive que deu-me uma febre ferrenha e meus mimos pré aniversários, sobre a festa e tudo mais, somente não falei de tudo que se passou depois desse marco e dessa linda festa de passagem de primeira para uma infância regada de rejeições sociais, rejeições e negações familiares e julgamentos a uma simples menina de 5 aninhos que quando me lembro, não acredito que aquele casal que tinha como ídolos: meus pais, foram tão pouco dotados de mínimo de psicologia infantil e não me defendendo perante terceiros, somente me expondo cada dia mais e assim me deixando a mercê da opinião alheia e a sua aprovação eterna. Tinha que ser tudo para os outros, tinha que fazer tudo para os outros, tinha que ser o modelo em casa de menina ideal, comportada, religiosa, não podia falar com meninos, não podia descer para brincar com as meninas, não podia ir para casa de ninguém, se fizesse algo apanhava e ia pra castigos sozinha e se meu irmão menor fizesse além de eu levar a culpa ainda pegava os castigos com ele, pois era o mais velho. Negações: tudo que eu queria pedir, lembro, não
eram coisas inalcançáveis, eram besteirolas, mas nada,
nunca, tudo era não, tinha sempre data e hora certa e sempre
uma razão ou chantagem emocional envolvida na história
e meu irmão tinha tudo e quando pedia era ele quem recebia,
não importava preço, qualidade e nem momento, ele ganhava. Ainda bem que quando cresceu tomou juízo e me aceitou melhor e entende melhor a tudo que passei, mas como toda criança implicante, ele se aproveitou e me fez do seu brinquedinho de pedir tudo e a Titi fazia, ameaçar e a Titi tinha medo, aprontar e a Titi levava a culpa, mas tudo bem, era o meu irmãozinho neném, Fofinho de Vaga-lume, Periquito de Mamão que não gostava nem que eu o abraçasse e beijasse, pois eu era "melosa" demais. Tudo normal, até aí, mas as surras eram coisas constantes e muito traumáticas, eram com cintas ou ainda com a mão, meu pai tirava minha calcinha e virava-me em seu colo e mandava bala sem pena, eu tinha soluços homéricos, um pouco mais tarde e mais velho meu irmão chegou a se urinar em uma dessas seções de surras a nós para não chorar e apanhar mais ainda. Tudo meu tinha que ser conquistado e impunham-me metas a se cumprir e ser premiada, pergunta: Isso é educar? Hoje, tendo ocupado algumas cadeiras na área de educação na faculdade posso ver como fui criada, pela educação às bases schnerianas da teoria onde os modelos experimentais eram de relação estímulo-resposta quase behavioriano para mim. Essa seria a melhor escolha? Por mim, hoje, se fossem meus filhos? Não, certamente que não. Entendo a falta de recursos e até de formação
de meu pai, mas a minha mãe? Professora até a alma,
filha de professora, rodeada pelo ambiente da educação
e ainda tido passado por cadeiras de períodos da faculdade
de psicologia, a mim não encaixa até hoje algo, mas
atualmente a entendo muito melhor, mais para frente explico mais o
que e como a entendo. |