Entrega singular

Quero meus lábios
Em teu corpo percorrer...
Procurar novos rumos sábios,
fazendo-te gemer até a noite morrer!

São caminhos cheios de mel,
Onde meus lábios viverão o céu.
Sentir teu gritar com sabor de mel
Será jogar meu pudor ao léu.Amando-me por inteira,
As lavas do vulcão nutrirão teu desejo
Tomar-me-ás sem pejo, e serei companheira
Nos corpos ardentes. Não haverá sobejo.

De meu corpo será o senhor,
De sua paixão serei Hera.
Ningém sentirá tanto ardor
Nesta troca de primavera.

Não viveremos só uma estação,
Mas todas compartilharão
Da semente germinada com tanta emoção!
Carinho, ternura e paixão é plena comoção.

Nessa gradação, os instantes brilharão
Como o Sol do meio-dia e as estrelas.
Será a fusão diuturna do amor intelecção,
Mas sôfrego de aproximação mais bela.

Entregarei meu corpo com carinho,
Ardente, porém, como um fogo.
És Baco e Apolo neste ninho,
Eu sou fênix correndo para o jogo.

Ensinas-me a ser ardente
Nesse jogo singular,
Pois só sei escrever versos docemente.
Arfante já estou com a antevisão singular.

Sou fêmea, sou mulher, sou selvagem
Nesta luta renhida de corpos quentes.
Meus coração estremece nesta linguagem,
Sensual, terna e pungente de dois querentes.

Conceição Di Castro