Sonetos

XX

Ai de mim! como estou tão descuidado!
Como do meu rebanho assim me esqueço,
Que vendo-o tresmalhar no mato espesso,
Em lugar de o tornar, fico pasmado!

Ouço o rumor, que faz desaforado
O lobo nos redis; ouço o sucesso
Da ovelha, do Pastor; e desconheço
Não menos do que ao dono, o mesmo gado;

Da fonte dos meus olhos nunca enxuta
A corrente fatal, fico indeciso,
Ao ver quanto em meu dano se executa.

Um pouco apenas meu pesar suavizo,
Quando nas serras o meu mal se escuta
Que triste alívio! ah infeliz Dalizo!