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Os desastres de Sofia
(Trecho)
Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar
de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se
para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem
nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar
de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo
do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder
e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor,
já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois
a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem
e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto,
tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias
garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
( in "Felicidade Clandestina)
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