| As Litanias de Satã
Ó tu, o Anjo mais belo e também o mais culto, Ó Príncipe do exílio a quem alguém fez
mal, Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que vês tudo, ó rei das coisas subterrâneas, Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que, mesmo ao leproso, ao paria infame, ao réu Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que da morte, tua velha e forte amante, Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que sabes onde é que em terras invejosas Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu cuja larga mão oculta os precipícios, Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que, magicamente, abrandas como mel Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu, que ao homem que é fraco e sofre deste o alvitre Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que pões tua marca, ó cúmplice sutil, Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Tu que, abrindo a alma e o olhar das raparigas a ambos Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Do exilado bordão, lanterna do inventor, Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria! Pai adotivo que és dos que, furioso, o Mestre Tem piedade, ó Satã, desta longa miséria ! ~*~ Oração Glória e louvor a ti, Satã, nas amplidões Charles Baudelaire |