Spleen
Tradução de Guilherme de Almeida

Sou o como o pobre rei de algum país chuvoso,
Rico, mas incapaz, moço, e no entanto idoso,
Que as lisonjas dos preceptores desprezando,
Vai com seus animais, com seu cães se enfadando.
Nada o pode alegrar, nem caça, nem falcão,
Nem seu povo morrendo em frente do balcão.
Do jogral favorito a grotesca balada
Não mais lhe desenruga a fronte acabrunhada;
Todo flores-de-liz, é um mausoléu seu leito
E as aias, que acham todo príncipe perfeito,
Já não sabem que traje impudico vestir
Para fazer esse esqueleto moço rir.
O sábio, que fabrica o seu oiro, em vão luta
Por lhe extirpar do ser a matéria corrupta,
E nem nos tais banhos de sangue dos Romanos,
De que se lembram na velhice os soberanos,
Conseguiu aquecer essa carcaça insulsa
Onde, em lugar de sangue, a água do Letes pulsa.

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