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A forca
Já que adorar-me dizes que não podes,
imperatriz serena, alva e discreta,
ai, como no teu colo há muita seta
e o teu peito é peito de um Herodes.
Eu antes que encaneçam meus bigodes
ao meu mister de amar-te hei-de pôr meta,
o coração mo diz - feroz profeta
que anões faz dos colossos lá de Rodes.
E a vida depurada no cadinho
das eróticas dores do alvoroço,
acabará na forca, num azinho,
mas o que há-de apertar o meu pescoço
em lugar de ser corda de bom linho
será do teu cabelo um menos grosso.
Cesário Verde
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