Ensinar e Aprender
1. Após dez anos de pesquisa, é publicado o livro Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Esse livro apresenta um tema histórico e nacionalista que remete à Inconfidência Mineira.a) Leia com atenção este trecho do livro:
Romance XLI ou Dos Delatores O que andou preso me disse
que dissera o Carcereiro,
que dissera o Capitão...
(Mas pareceu-lhe parvoíce,
e não delatou primeiro
porque não teve ocasião...) E mais: porque o Carcereiro
depois passara a Meirinho...
E o Capitão, do Ouvidor
fora sempre companheiro...
E que, por esse caminho,
ia-se ao Governador... Mas agora, que o Meirinho,
o Capitão mais o preso
são da mesma condição...
Já que não têm mais padrinho,
posso fazer com desprezo
a minha declaração. Diga o que me disse o preso,
que de outro já o tinha ouvido,
que o ouvira de outro... Não são
máximas de grande peso:
mas tudo bem entendido,
pode envolver sedição. Eu digo - por ter ouvido -
que os filhos do Reino, em breve,
cativos aqui serão.
Tenha ou não tenha sentido,
quem a dizê-lo se atreve
merece averiguação. A minha denúncia é breve,
pois nem sei se houve delito,
nem se era conspiração.
Mas, se ninguém os escreve,
aqui deixo, por escrito,
os nomes que adiante vão. Haja ou não haja delito,
esses nomes assinalo,
e escrevo esta relação.
O que outros dizem, repito.
E apenas meu nome calo,
por ser o mais fiel vassalo,
acima de suspeição.(MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. 10ª ed. RJ: Nova Fronteira, 1989. p.149-150.)
b) Nesse trecho, o próprio delator conta como ocorreu a denúncia: ele anuncia que todos sabiam da conspiração - (O que andou preso me disse/que dissera o Carcereiro,/que dissera o Capitão...) -, anuncia os nomes alheios e oculta o seu. Forme dois grupos: um defende os denunciados e o outro defende o delator. Faça uma síntese das defesas. 2. Em 1973, Fagner lançou a música "Canteiros" feita a partir de um poema de Cecília Meireles. Ouça a música "Canteiros" e escolha um trecho do poema. A partir desse trecho, crie uma poesia. Organize uma exposição em sala de aula.
Canteiros
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudades
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento Pode ser até manhã
Cedo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem
me faz sentir alegria Eu só queria ter no mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros E esconder minha tristeza
E eu ainda sou tão moço pra tanta tristeza ...
Eu só queria ter no mato
Um gosto de framboesa...3. O poema infantil "Ou Isto ou Aquilo" organiza-se em torno de uma sucessão de oposições, sintaticamente apoiada na construção alternativa "ou...ou", na repetição e no jogo de palavras caracterizando o lúdico próprio da criança a que a educadora Cecília Meireles tão bem conheceu.
Em grupos, ler o poema e criar uma melodia. Apresentá-la aos colegas.
Ou Isto ou Aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.5. Leia a crônica "Festa Íntima" (Meireles, Cecília. Ilusões do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p.72-74.), na qual comemora-se o aniversário de um objeto útil e querido. Escolha um objeto de seu afeto. Redija uma crônica, descrevendo o objeto e contando sua relação de amizade com ele. Organize uma sessão de leituras dos trabalhos realizados. 6. Na segunda fase do modernismo (1930-1945), a poesia apresenta uma liberdade estética, uma linguagem comunicativa e pessoal que marca definitivamente sua presença no Brasil. Com a orientação do professor, faça um estudo dos poetas que se destacaram nesse período. Obras da autora (Poesias) Espectros (1919); Nunca mais... e poema dos poemas (1923); Baladas para el-rei (1925); Viagem (1939); Vaga música (1942); Mar absoluto (1945); Outros poemas (1945); Retrato natural (1949); Amor em Leonoreta (1951); Doze noturnos da Holanda (1952); O aeronauta (1952); Romanceiro da Inconfidência (1953); Pequeno oratório de Santa Clara (1955); Pistóia, cemitério brasileiro (1955); Canções (1956); Romance de Santa Cecília (1957); A rosa (1957); Obra poética (1958); Metal rosicler (1960); Poemas escritos na Índia (1962); Solombra (1963); Ou isto ou aquilo (1964); Crônica trovada da cidade de Sam Sebastiam do Rio de Janeiro no quarto centenário de sua fundação pelo capitão-mor Estácio de Saa (1965); Poemas italianos (1968); Poemas inéditos (1969); Cânticos, poesias inéditas (1981).
Bibliografia
BERALDO, Alda. Trabalhando com poesia. São Paulo: Ática, 1996.
LAMEGO, Valéria. A Farpa na lira. Cecília Meireles na revolução de 30. Rio de Janeiro: Record, 96.
GOLDSTEIN, Norma. Análise do Poema. São Paulo: Ática, 1986 ( Ponto por Ponto).
ZILBERMAN, R.. A Leitura e o ensino da literatura. São Paulo: Contexto, 1989.Visita para complementar para o estudo:
Instituto Cultural Itaú
Av. Paulista, 149 - 01311-000 São Paulo - SP - BrasilFilmografia
Romanceiro da Inconfidência (BRA, doc., 60 min)
Direção: Sônia Garcia. Elenco: Rubens de Falco, Othon Bastos, Maria Fernanda. Obs.: Este documentário está disponível no Instituto Cultural Itaú.Discografia
Canteiros (Cecília Meireles)
Intérprete: Fagner
Disco: Manera Frufru Manera (1973)
Gravadora: Philips
Textos Extraídos do Site www.TvCultura.com.br
Outros Textos da Biografia Especial de Cecília Meirelles
Início
Poeta e Educadora
Obra Poética Reconhecida