| A Cachoeira de Paulo Afonso
Em 1876, sete anos antes da primeira publicação
de Os Escravos, foi impressa uma edição isolada do poema
A Cachoeira de Paulo Afonso. Trazia o seguinte aposto: Poema
original brasileiro. Fragmento dos Escravos sob o título
Manuscrito de Estênio A partir de então, muitos
editores têm publicado o poema em separado, como se não
fizesse parte do livro Os Escravos. Nessa edição, no
entanto, seguimos a lição de Afrânio Peixoto,
organizador da edição de 1938 das Obras Completas do
poeta baiano, e publicamos o poema como continuação
do livro. O próprio Afrânio Peixoto explica a opção:
Este poema bastaria para a glória de um grande poeta: nenhum dos nossos, do O Uruguai ao Caçador de Esmeraldas, se lhe podem comparar, sem desmerecer. Rui Barbosa, que lhe fez a primeira e admirável crítica, se aponta os primores de descritiva das paisagens e dos tipos rústicos, mostra também como o poema do desespero do escravo deve ser esse. Ali a cólera troveja imprecações de uma grandeza bíblica; a ironia chispa como o aço de um estilete; cada frase traspassa os algozes como a ponta ervada de uma seta. Aquela fronte elevadamente humana fez-se de fera, para sacudir o vilipêndio imerecido; e aos lábios, contraídos por um amargor incomparável, crer-se-ia ver assomarem-lhe a cada palavra laivos de sangue do coração, mortalmente retalhado. Com efeito, a tragédia íntima da escravidão se desenrola dolorosa e inconsolável no cenário estupendo da Cachoeira de Paulo Afonso, imenso palco, digno de tamanha dor humana. Esse complemento d Os Escravos vale por outro poema. Clique aqui e faça o download do livro "A Cachoeira de Paulo Afonso" Leia mais sobre Castro Alves Biografia de Castro Alves. |