Canção para poder viver
Dou-lhe tudo do que como, e ela me exige o último gomo. Dou-lhe a roupa com que me visto e ela me interroga: só isto?
Se ela se fere num espinho, O meu sangue é que é o seu vinho.
Se ela tem sede eu é que choro, no deserto, para lhe dar água:
E ela mata a sua sede, já no copo de minha mágoa
Dou-lhe o meu canto louco; faço um pouco mais do que ser louco.
E ela me exige bis, "ao palco"!
Cassiano Ricardo