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Sarcófago antigo Aqui, no verde ingresso de um bosque de mirtos e louros, granítico, o sarcófago antigo descansa. Rescende em flor agita ao vento. Com laços tenazes e dúcteis mas lhe respeita as linhas severas, os finos relevos, Não deturpou a idade seus nobres contornos. A clava não a investiu. Acaso, no fundo das selvas Albanas, sagrada, no horto obscuro de um vilico, abrigo sereno entre a folhagem pétrea, de pomos e de uvas pesada, revive. Inda os Centauros, com os Lápitas rudes lutando, frenéticos os braços, e tesos os fortes jarretes, a um tempo eqüinos pêlos e comas humanas. Já voam na confusão da pugna, robusto, soberbo, sublime, as têmporas lhe cinge leonina cabeça; e dos ombros Ele, com o gesto apenas, lhes doma as horríficas iras. Ignota é a mão de artista, que o grupo guerreiro na pedra és tu que ali dormiste teu último sono ai! eterno no mundo; nem um simples jazigo. Um capricho do vento Quem eras tu, Romano de estirpe gloriosa, Tribuno Herói antigo, ou fino letrado da Corte e do Fórum? Se subo, entanto, à beira do velho jazigo, se estendo além do vale cavo, sonoro de Arícia, e da imensa Mas não; quem sabe em Roma que um dia viveste? Que ruína Entanto, indiferentes, chilreiam estivas cigarras Pássaros da floresta vizinha, pardais, pintassilgos, os lépidos pesinhos no grande sarcófago pousam, hoje é, Patrício esplêndido, uma urna de rústica fonte, de um tigre... E quando as tintas purpúreas do ocaso colorem eu quando a branca Lua na fonte se espelha em silêncio, nos ângulos lavrados, sorrindo, cantando, pensando... (Odes e elegias, 1904.) Carlos Magalhães de Azeredo |