Morre o poeta

Quando morrer, me esqueça,
lutei todas as guerras,
me arrastei entre povos,
não levo nada,
nenhuma tristeza,
apagarei todos os rascunhos.

Não leia o que escrevi,
não lembre o que falei,
até o que sussurrei,
amada, amiga,
de novo vou ser errante de mundo vazio,
continuarei numa procura sem fim.

Não me dê amor depois,
procuro seu coração hoje
em algumas estradas erradas,

Quando for do corpo,
talvez cause algum sofrimento;
apague a luz da minha paixão.

Caminhei entre minhas sombras,
fui fantasma, não um valente,
sou apenas um poeta inexperiente
em um caminhar solitário,
prossigo, sigo, volto,
me perdi, perdi o caminho.

Termino sem destino,
acaba a era do escrevinhador,
dos amores procurados e doados,
não mais existirão sonhos,
a mão cruza o braço e fecha-se,
sem consolo, morre o poeta.

Caio Lucas