| Voe
O silêncio não acaba aqui,
meu vôo é solo,
quero me perder,
meus gestos são poucos
ou quase nenhum,
não tenho vida pelos céus,
não existo.
Vejo todas as almas passando,
meus olhos teimam em não fechar,
os mares são secos como as matas,
de olhos cegos pelas nuvens, nada tem vida.
O amor?
Não o encontrei, está em mim.
Não enxergo os desamores na altura que guardo de ti,
a escuridão é iluminada dia e noite,
não sei se por luzes ou por reflexos de paixões,
na dúvida não me temas,
vem de novo, jogue fora as maldições e ame.
Voei outros tempos sobre feridas abertas,
saí por janelas destroçadas pela desilusão,
um dia... quem diria, alcei vôo e fui ao seu encontro,
duro e sem jeito, ainda assim carregado de sonhos,
em instante foi desarmado e abatido pelo amor.
Quero ferir minha boca com beijos quentes,
ainda sei sonhar com doces contos de fadas,
não sou mais guerreiro das noites vazias,
tento pousar sobre as montanhas com vida.
Dá-me mais um pouco de seu amor,
sorri livre quando me apaixonei,
juntemos asas em um vôo sobre paixões,
seria inútil desistir da vida, tenho a razão maior.
Por que te feres?
Não importa mais, venha e voe junto.
10/03/2003
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