Por indústria de uns olhos
XXXVI
Por indústria de uns olhos, mais brilhantes
Que o refulgente sol dos céus no cume,
Jaz preso entre os grilhões do idálio nume
O mais terno e sensível dos amantes.
Uma ingrata, exemplar das inconstantes,
Por gênio, por sistema, ou por costume,
Todo o fel da tristeza, e do ciúme
Lhe verte sobre os míseros instantes.
Se com piedoso afeto lhe suaviza,
Lhe engana alguma vez a dor, que o mata,
Mil vezes com desdéns o tiraniza.
O laço aperta, e súbito o desata...
Ah! doce encanto meu, gentil Felisa,
O desgraçado eu sou, tu és ingrata.
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