Perdoa, Anarda, ao triste que te adora

XLI

Voaste, alma inocente, alma querida,
Foste ver outro sol de luz mais pura,
Falsos bens desta vida, que não dura,
Trocaste pelos bens da eterna vida.

Por Deus chamada, para Deus nascida
Já de vãs ilusões vives segura.
Feliz a fé te crê; mas a ternura
Co(m) punhal da saudade está ferida.

Desgraçado o mortal, insano, insano,
Em dar seu pranto aos fados de quem mora
No palácio do Eterno Soberano;

Perdoa, Anarda, ao triste que te adora:
Tal é a condição do peito humano;
Se a Razão está rindo, Amor te chora.