Ó funesto, ó penoso apartamento
XXII
Praias de Sacavém, que Lemnoria
Orna c´os pés nevados e mimosos,
Gotejantes penedos cavernosos
Que do Tejo cobris a margem fria.
De vós me desarreiga a tirania
Dos ásperos Destinos poderosos;
Que não querem que eu logre os amorosos
Olhos, aonde jaz minha alegria.
Ó funesto, ó penoso apartamento!
Objeto encantador de meus sentidos,
A sorte o manda assim, de ti me ausento.
Mas inda lá de longe os meus gemidos
Guiados por Amor, cortando o vento,
Virão, ninfa querida, a teus ouvidos.
|