Ó Deus, ó Rei do céu, do mar,
da terra
LXVIII
Ó Deus, ó Rei do céu, do mar, da terra,
(Pois só me restam lágrimas, clamores)
Suspende os teus horríssonos furores,
O corisco, o trovão, que a tudo aterra:
Nos subterrâneos cárceres encerra
Os procelosos monstros berradores,
Que enchendo os ares de infernais vapores
Parece que entre si travaram guerra.
Para nós compassivo os olhos lança,
Perdoa ao fraco lenho, atende ao pranto
Dos tristes, que em ti põem sua esperança!
Às densas trevas despedaça o manto,
Faze, em sinal de próxima bonança,
Brilhar no etéreo tope o lume santo!
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