Tua clemência amei, temi teu raio
LXIII
Pela voz do trovão corisco intenso
Clama, que à natureza impera um ente,
Que cinge do áureo dia o véu ridente,
Que veste d(e) atra noite o manto denso:
Pasmar na imensidade, é crer o imenso;
Tudo em nós o requer, o adora, o sente;
Provam-te olhos, ouvidos, peito e mente?
Nume, eu ouço, eu olho, eu sinto, eu penso!
Tua idéia, ó gran Ser, ó Ser Divino,
Me é vida, se me dão mortal desmaio
Males que sofro, e males que imagino.
Nunca impiedade em mim fez bruto ensaio;
Sempre (até das paixões no desatino)
Tua clemência amei, temi teu raio.
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