Elmano morreu e Inália vive
XXIX
Quando à que me rendeu jurava ufano
Gostar por ela do funéreo instante,
Dizia a doce amada ao terno amante:
¨Inália morre, se morrer Elmano¨.
O tempo, das paixões, dos bens tirano,
Tomou ferino o divinal semblante
E nos lábios gentis voz fulminante
Vibrou, vibrou-me um raio; ó desengano!
Esperanças, murchai; tu, lisongeiro
Sonho adorável, com que o ser mantive,
Desfaze-te em meu ponto derradeiro.
Mas as cinzas do amante Amor não prive
Dos ais de escravos seus: triste letreiro
Diga: - ¨Elmano morreu, e Inália vive¨.
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