| Soneto da Verdadeira Pátria
E quando eu me tornar rosas vermelhas
que o luar cobrir com suas mãos tão leves;
quando já for silêncio e treva e tudo chão,
e a palavra uma pedra na garganta,
irei ver outra bem distante,
lá onde os meus avós já são senhores,
e onde os pássaros cantam, sempre e sempre,
saudando as madrugadas dos que chegam.
Aqui, pouco me importa o que aqui fique...
O meu corpo brotando em flores quentes
e a cabeleira indo em raiz no chão.
Irei ver meus irmãos que aqui são cruzes
e tão lúcidos lá. Serei, então,
sincero e bom, na verdadeira pátria.
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