Sonetos para o Serra

III

O que é bom dura pouco, o mal persiste
Sem dó, sem piedade, sem clemência
Um olha o outro já com o dedo em riste
E sem um pingo de benevolência.

Sei que o cristianismo não resiste
Ao exame detido da ciência,
Porém, enquanto mata, o homem insiste
Que está matando pra fazer clemência.

Entredevoram-se os homens com maldade,
Somos todos discípulos de Sade,
Amar é verbo de pompa... e circunstância.

Quem dá a outra face de verdade?
Quem ama o que não traz felicidade?
Onde mora, de fato, a Tolerância?

Barros Alves