| No céu
Depois subi ao céu e a Divindade
Disse-me logo que não me refuta,
Pois nunca confiou na Cristandade
E acha que a Igreja é mui fajuta.
A trôpega e infiel humanidade
Disse ter feito mesmo vil e bruta.
E O vi irradiar felicidade
Entre bêbados, ladrões e prostitutas.
No céu não vi nenhuma majestade,
Não vi príncipe, princesa, não vi rei,
Não vi o Papa nem a sua grei.
Lá vi a plebe vil da humanidade,
Vi malandros, famintos - já nem sei!
Vi os sem-terra, os sem-teto e os sem-lei...
Barros Alves
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