A casa onde morávamos... Saudade do passado

Algo me dói quando volto àquela rua
onde passei minha infância...
minha juventude...
minha mocidade...
a casa dos meus pais...
Procuro, entre as paredes, as
lembranças do meu passado...
do meu ontem!
Sinto um frio intenso na alma
quando recordo
como fomos felizes naquela casa,
eu, meu pai, minha mãe, meu irmão,
pessoinhas tão especiais,
que já não vivem no plano físico...
Partiram... deixaram saudades...
Cada vez que eu passo por ali
procuro ouvir os risos inocentes
da minha infância...

Vejo-me correndo
pelas sombras das frondosas mangueiras e goiabeiras
que embelezavam parte do nosso quintal.
Para nós, eram como pessoas da família.
Meu cãozinho Lassie, fiel
amigo e companheiro, que
participava conosco de todas as
nossas aventuras...
de todas as nossas brincadeiras...
Éramos muito felizes!
Parece que se eu fechar os olhos,
alguém me tomará pela mão e
me mostrará meu esconderijo....
lugar secreto que eu
descobri e onde me refugiava
quando fazia algo errado.

E como eu fazia!
Que menina levada eu era!
Jamais esquecerei uma tarde de domingo,
enquanto meus pais faziam a sesta
e que coloquei meu pequenino irmão em cima da mangueira,
na parte mais alta...
e ele lá ficou por horas e horas,
já que não conseguia descer,
esperando meus pais acordarem para tirá-lo de lá...

E enquanto isso eu fazia meus planos
inúteis, que nunca davam certo.
Até que papai precisou chamar o
Corpo de Bombeiros para resgatá-lo.
A possibilidade do castigo me apavorava,
porque mamãe era muito severa,
mas meu adorado pai sempre dava um jeitinho
de me livrar das punições impostas por ela.
O tempo foi passando,
eu cresci, tinha novos interesses e
infelizmente esqueci
de quanto era bom ser criança!

Os almoços felizes...
meu pai cúmplice em todas as brincadeiras
que eu inventava...
e as tardes no terraço...
a visita dos meus primos,
pois todas as comemorações eram feitas na nossa casa...
À noite, a despedida, o doce
abraço de amor que trocávamos,
e a promessa de retornarem no próximo domingo ou feriado...

Quando passo em frente à casa
paterna, eu viajo... perdida...
assustada... confusa talvez...
Ali era o meu refúgio, o meu lar,
Era ali que eu vivia, era ali que eu existia de verdade.
Ali eu me sentia querida... amada...
protegida... acariciada...

Hoje já não tenho mais ninguém
todos partiram...
se foram... e
com eles se foi um pedaço da minha vida...
da criança que eu era...
Quando retorno àquela casa velha,
como um milagre ...
me sinto renascer... sinto que
sou criança outra vez!

Arneyde T marcheschi

20/02/2000 - 22h
Vitória - ES