Dê-me tua mão

Deixo-me levar por ti,
Faça o que quiseres,
Sempre te pertenci.
O feto que fui
Banhava-se no teu líquido,
Prendia-se no teu cordão.
Quando expus-me ao mundo,
Fruto de tua semente,
Teu doce acalanto ninou-me
E trouxe a paz em que me guardo.
Criança feliz, que poderia ter sido,
Só quando tinha-te ao meu lado
Minha alma levitava,
Meu sorriso abraçava estrelas,
Enquanto teus olhos de luz
Aqueciam meu coração.
Tempos depois, amiga,
Apaixonei-me perdidamente.
Senti-te possuir-me
E sabia não ser indiferente
À amada de minha vida.
Hoje, olho-me,
Vejo-te serena cuidar
Daquele que poderia ter sido,
O amante que não fui.
Fui-te pouco, muito pouco,
Um quase nada ...
Mas mesmo assim a felicidade que me invade
É tão sem tamanho
Que inundo-me em lágrimas
E afogo-me de amores.
Dê-me tua mão Poesia
E sigamos tranqüilos e decididos
Pelos caminhos e descaminhos
Que ainda temos por percorrer...