| Fernando e Isabel
Convulsivo tremor a face augusta
Da formosa Isabel percorre, e estampa
Em seu terno semblante a piedade.
Fernando, ao lado dela, oculta o júbilo
Que em seu peito referve; e os olhos fitos
Na alcantilada torre, aguarda ansioso
Ver erguido o sinal, a cruz argêntea
Na mão de Talavera, e glorioso
Engolfar-se nos brados da vitória.
"Santo lago!" do alto da atalaia
Três vezes brada o bispo; e Santo Iago!
Vezes três pela veiga inda reboa
Em prolongado som, que dobra em força.
Como a onda que os flancos arremessa
Em lisa praia, e recuando engrossa
Em marouço, que estoura reboando.
"Castela e Aragão!" grita o rei d’armas,
Floreando três vezes o estandarte
Do Apóstolo guerreiro, cujo nome
A fé robora, e acende o amor da glória.
Responde a artilharia, rufam caixas,
E no campo flutuam férreas massas,
Dardos de fogo rutilando em nuvens.
Fernando beija a terra; ao som das harpas
Grave Te Deum se entoa, a que respondem
Toda a corte, guerreiros, e cantores.
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