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Soneto ao colo materno
Tenho medo da noite em desvelo
Quando a boca do soturno troveja no céu.
Tenho medo da insônia e pesadelo:
Acorda em mim um monstro cruel.
Sei que muito sofreria e que teria um triste fim
Sem o conforto do teu colo para chorar e sorrir
Tuas preces para afugentar a presença do coisa-ruim
E tuas mãos para me afagar em vaporoso dormir.
Certos dias, a coluna dói de tanto sob e desce escada
Teu padecer é tão sofrido que chegas desfalecer.
Pranteias; mas não fraqueja sob o fardo da jornada.
Noutros, em preces, adormeces sem desligar a luz.
Me apiedo de ti e no teu calor me deixo adormecer.
Passo a noite sonhando com borboletas azuis.
Antonio Virgilio de Andrade
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