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Sexta-Feira 13... Como pode ser? É sexta-feira, final de semana e o dia amanhece
gripado, espirrando trovões? E os planos para ficar torrando
no sol tal qual uma galinha de rodízio? O dia cinzento não combinava com a cortina cor-de-rosa em plena sexta-feira. O dia catarrento não prometia um bronzeado dourado... Culpa sua insistência, em querer saber se os espirros escutados, eram mesmo um aviso que o dia seria doente. Deveria ter ligado um som bem alto, alegre e despojado, e ter ficado presa entre as paredes brancas com toques cor-de-rosa; sonhando que lá fora o dia estava apenas ensaiando passos, para a contradança com a noite colorida. Tropeçando na manhã mal acordada, acometida pela desesperança de um dia brilhante, levanta cuspindo raios... Raios! Percorre o trajeto cama-banheiro imaginando um banho bem quente. Recorre ao chuveiro, e este matreiro, despeja água fria. Que fria! Tateia em busca da toalha amarela, que ela sempre deixou ao alcance dos dedos cegos, mas não a encontra. Com o corpo pingando em arrepios, dá o primeiro passo e vai de encontro ao chão... sabão! Entre trancos e barrancos, levanta-se. Encontra a toalha amarela e esfrega zangada o corpo molhado e descorado. Encaminha-se para a cozinha, tenta achar o café, com dó,
constata que acabou o pó! Não acredita naquela premonição! Retorna até a cortina cor-de-rosa, e com os dedos em ação, abre a janela. A visão das nuvens, brincando de esconde-esconde com o sol desmilinguido, não lembra uma sexta-feira. O locutor, com pose de doutor, estava certo: o mar não estava para peixe, nem o dia para torrar no sol como uma galinha de rodízio. Não obteria a cor de canela numa manhã como aquela... O dia, com um sorriso sarcástico, penetra em rajadas de vento pela ventana da janela, dando-lhe uma bofetada na cara e revira a folhinha do calendário lendário pendurado na parede. Pasma, descobre que aquela era uma manhã de sexta-feira 13. Angela Bretas |