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Primeira chuva no deserto
Fecho os olhos e imagino a primeira chuva no deserto. Vejo-te sentado
no estreito balcão, mudo, olhos vidrados no trajeto de cada
gota. Fico ao teu lado observando esta imprevista chuva e após
alguns instantes atiro-me nos úmidos braços celestiais;
deixo a chuva lavar minha alma e meu corpo, entrego-me às surpresas
do deserto, refaço-me inteira. Quando volto meu olhar para
ti, vejo que, assim como o deserto, tu também estás
a chover. Lágrimas que parecem não ter fim. Não
me apiedo de ti, o tempo por vezes parece demasiadamente curto, a
eternidade se encerra em um segundo, a vida por vezes é urgente.
Precipito meus braços em tua direção. Observo
teu lento caminhar e quando finalmente estás diante de mim,
dançamos ao som dos estalos do encontro da água com
a areia... esfoliando nossas almas das dores da vida, vimos um novo
dia raiar, dançando juntos a música que nos habita.
Ana Paula Pedro
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