Quinze de março

Aos quinze dias do mês de março do ano de mil novecentos e setenta e três,
nesta cidade do Rio de Janeiro.. nasceu!

Tenho por ti muito apreço
Minh'alma mudou de endereço
E me perco com saudade,
D´um tempo que era eternidade...

Sou gente que sente e chora
Só tenho essa identidade
E preciso de adereços
Que brilhem serenidade.

Quando a solidão me encontra
E, se me olho, o espelho
Se atreve a me dar conselhos.

Ele grita: menino acorda
a vida ri e chora
não pensa só na saudade
que entrem outras verdades,
outros amores virão...

A vida convida
a gente a cuidar de vidas,
com delicada vontade.

Ninguém escolhe essas coisas
O destino te impõe pares
Uns seguem ao teu lado outros viram lembranças...

De manhã, abre-se o pano
não é mais cotidiano,
o mesmo café: diferente.
com direito a desejos cadentes
pode ser que o amor se apresente
pode ser que eu durma no escuro,
quem é que conhece o futuro?

A vida anda e eu não morro
não morro de teimoso,
pertinaz...
ainda me falta amor
herança danada e infinita...
se a vida é hoje insípida
amanhã tem que mudar..

Agora sou só ausência
roendo saudade, vontade..
olhando as portas da sala
sequer vieste me ver...

Hoje é teu dia
me privou da tua companhia
Meu abraço apertado não dei
perdido no espaço,
nem um beijo, nem sequer um olhar...

Vivemos tanto tempo juntos,
e agora tanto tempo separados,
o que o convívio criou,
não pode a ausência destruir.

Vi muitos ao teu lado,
Sorrisos e piadas ouvi,
Teu riso quase casto,
Teu olhar triste
se quer me olhou...

Acreditei até o último minuto
que tu voltarias atrás
mas teu rancor foi demais,
tua raiva esgotou minhas forças...
Hoje é teu dia
me privou da tua companhia
Meu abraço apertado não dei
perdido no espaço,
nem um beijo, nem sequer um olhar...

Brindarei o novo ímpar
recheado de orfandade
busco a mim mesmo
com esse novo desígnio casei...
Cansei!

Aos quinze dias do mês de março do ano de dois mil e seis, nesta cidade do Rio de Janeiro.. morri!

FORFM

Rio de Janeiro, 15 de março de 2006

Allan Julianelli