Filho do silêncio

Nascido do sol
sob a luz de uma quimera
num dia de primavera
foi gerado um estranho ser.

Formas de apolo,
rosto formoso,
pele alva como nuvem,
cabeça confusa.

Perdido no silêncio
de tua incógnita personalidade
quase mudo,
às vezes sisudo,
calado em algum canto.

Triste sina
de Deus mito,
triste glória de pecador,
mistura de tudo isso.

Conversa com o vento
formulando teus desgostos,
castiga-se isolando-te do mundo

faz-te filho do silêncio,
tentando encobrir o que
há de Santo.

22 de agosto de 1992