Muitos gols para superar as frustrações na seleção

Marcelo Senna

Um corte, um pênalti perdido, um vice e gols, muitos gols. Mais desilusões do que alegrias, é verdade. Mas a carreira de Zico na seleção brasileira só pode ser descrita desta forma. Apesar das alegrias, ficou faltando um título com a camisa amarela: o de campeão mundial.

Faltaram troféus, mas sobraram gols. Zico marcou 67, que o fizeram o terceiro maior artilheiro da seleção, atrás de Pelé e Romário. Mas também houve decepções. A primeira delas foi logo aos 19 anos. O técnico Antoninho o cortou da equipe que disputou as Olimpíadas de 1972, em Munique. A dor foi tão grande que Zico quase desistiu da carreira.

Mas ele voltou por cima em 1976, quando marcou um gol em sua estréia na seleção principal. Na Copa de 78, ainda sem ser uma unanimidade nacional, Zico começou como titular, mas sofreu uma lesão quando se firmava no time. Marcou um gol e o Brasil ficou em terceiro.

O auge de sua carreira na seleção foi na Copa de 82, na Espanha. Fez quatro gols e era a estrela de uma equipe inesquecível. Quis o destino, porém, que Paolo Rossi fosse o herói de um Mundial que tinha tudo para ser de Zico.

Quatro anos depois, após uma cirurgia no joelho, Zico jogou sua última Copa lutando contra dores terríveis. Perdeu um pênalti decisivo contra a França, nas quartas-de-final.

- Esse lance vai me perseguir pelo resto da vida - profetizou.

Em 1998, Zico voltou a sonhar com o título. Como coordenador-técnico na Copa da França, viu o Brasil chegar à final, mas o time caiu para a mesma França de 12 anos antes. Zico ficou sem o merecido título mundial.