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Definição
da palavra "academia"
O
lexicólogo Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989) em seu
Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, assim define
Academia: "[do grego Akademía, pelo latim academia, pelo
italiano accademia e pelo francês académie.] Substantivo
feminino. 1. Escola criada por Platão em 387 a.C., situada
nos jardins consagrados ao herói ateniense Academus, e que,
embora destinada oficialmente ao culto das musas, teve intensa
atividade filosófica. 2. Por extensão Escola de qualquer
filósofo. 3. Estabelecimento de ensino superior de ciência
ou arte; faculdade, escola: Academia de Direito, de Medicina,
de Engenharia; a Academia Militar das Agulhas Negras. 4.
Escola onde se ministra o ensino de práticas desportivas
ou lúdicas, prendas, etc.: Academia de Judô, de Dança, de
Corte e Costura. 5. Sociedade ou agremiação, particular
ou oficial, com caráter científico, literário ou artístico.
6. O conjunto dos membros de uma Academia (5). 7. Local
onde se reúnem os Acadêmicos. 8. Brasil Uma das alas da
escola de samba. 9. Brasil Restritivo A Academia Brasileira
de Letras."
Na
leitura do verbete Academia do Dicionário Aurélio temos
um primeiro contato com a origem do termo e seus múltiplos
sentidos contemporâneos. Mas o que nos interessa aqui é
sublinhar seu nono significado: no Brasil, quando nos referimos
simplesmente à Academia, estamos nos reportando à Academia
Brasileira de Letras. Essa conquista na língua cotidiana,
transformando a Academia de Letras, na Academia por excelência,
deve-se à sua história que, ao longo dos seus cem anos de
existência, conseguiu reunir, entre seus membros, autores
que contribuíram para a formação da literatura brasileira,
historiadores e críticos literários, cientistas sociais,
jornalistas, políticos e cientistas, cujas obras e vida
profissional constituem uma referência em suas respectivas
áreas.
Na
segunda metade do século XIX, o Rio de Janeiro já apresentava
uma vida literária marcada pelas reuniões de escritores
e publicações de periódicos voltados para a literatura.
Pontos de encontro, como as livrarias Laemmert e, posteriormente,
a Garnier, mantinham a regularidade dessas reuniões onde
participavam nomes como Oliveira Lima, Rodrigo Otávio, Pedro
Tavares, o jovem Graça Aranha e outros. Já nessas rodas,
o centro era a inteligência irônica da personalidade discreta
de nosso escritor maior: Machado
de Assis. Essa vontade gregária também se manifestava
pelas personalidades boêmias que viriam a se reunir no clube
Rabelais, fundado, em 1892, por Araripe Júnior e Raul
Pompéia. O escritor e acadêmico Josué Montello, em seu
O Presidente Machado de
Assis, nos lembra, citando as Minhas Memórias dos Outros
de Rodrigo Octavio, que Nabuco, Taunay e Machado não quiseram
aderir ao "barulhento Rabelais".
Nesses
grupos e encontros, acenava-se com a necessidade da criação
de uma agremiação que reunisse os expoentes da literatura
brasileira. As reuniões da Revista Brasileira, sob a direção
de José Veríssimo, tiveram um papel decisivo na criação
da Academia idealizada, principalmente, por Lúcio de Mendonça.
A
idéia de Lúcio de Mendonça era a criação de uma Academia
de Letras sob a égide do Estado, que recusou a proposta.
Criou-se, então, como uma sociedade civil de direito privado,
ou como se chamaria hoje, como uma organização não-governamental,
a Academia Brasileira de Letras.
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